No dia 23 de Agosto de 1973, três mulheres e um homem ficaram seis dias
reféns de bandidos, em um assalto a um banco de Estocolmo. Para a surpresa de todos, os reféns desenvolveram uma relação afetiva com os bandidos. Desde então, chama-se Síndrome de Estocolmo a essa dependência afetiva que se cria nos raptados pelos seus raptores. Leia mais sobre isso aqui.
Eu sou Denise Arcoverde, tenho 43 anos e, depois de muita insistência, Ted, meu marido, me "sequestrou" e levou para viver com ele em Estocolmo, na Suécia. O destino nos trouxe pra Washington, DC, nos EUA, onde vivemos hoje, muito felizes, com minha filha Beatriz.
Tenho o maior prazer em fazer esse blog, que eu costumo dizer que é nossa "pracinha" onde trocamos idéias, discutimos assuntos polêmicos ou falamos abobrinhas. Convido vocês a participar dessa "comunidade virtual", sempre com o mesmo respeito que eu, e tod@s amig@s, temos pelos que vêm aqui.
Sou
fundadora de uma ONG, o Grupo
Origem que, há quase 20 anos, desenvolve um trabalho lindo de promoção,
apoio e defesa do aleitamento materno. Continuo trabalhando com
o Origem, via Internet. Nosso site, Amamentação
Online, ganhou, duas vezes, o IBEST.
Eu vejo Stephen Frears, Fellini, Hitchcock, Truffaut, Woody Allen, Orson Welles, Billy Wilder, Quentin Tarantino, Rainer Werner Fassbinder, Godard, Luis Buñuel, Sofia Copolla, Roger Michell, Irmãos Taviani, Antonioni, David Lynch, Almodovar, Irmãos Cohen, Kubrick, Ingmar Bergman, Jim Jarmusch, Pasolini, Tim Burton, Robert Altman, Scorcese...
Dicas de Livros:
Eu leio Clarice Lispector, Pushkin, Umberto Eco, Edward Said, Machado de Assis, Kafka, Patricia Highsmith, James Joyce, Torquato Neto, John Donne, Dorothy Parker, Virginia Wolf, Carlos Drummond de Andrade, Ariano Suassuna, Pagu, Tchekhov, Tomasi di Lampedusa, João Cabral de Melo Netto, Wally Salomão, Vinícius de Moraes, Anais Nin, Andre Breton, Baudelaire, Marilene Felinto, Dashiel Hammet, Raymond Chandler, Simone de Beauvoir, Roland Barthes,
Dica de livro de arte:
Gosto
de Keith Hering, Andy Warhol, Lichtenstein, Frida
Khalo, Chagall, Miró, Rodin, Camille Claudel, Edward Hopper, Pollock, Suzanne Valadon, Goya, Brughel, Kandinsky, Man Ray, Escher, Botero, Caravaggio, Veermer, Jasper Johns, Tarsila, Anita Malfatti, Bajado, Alex
Vallauri, Dudi Maia Rosa, João Câmara, Leonilson.
Dica de CD:
Eu ouço: Madonna, Blur, Billie Holliday, Caetano
Veloso, Cássia Eller, Aimee Mann, Kid Abelha, Jorge Benjor, Diana Krall, Frank Sinatra, Lobão, Counting Crows, Cardigans, Jackson do Pandeiro, Kraftwerk, Fernanda Abreu, Miss Kittin, Eurythmics, Style Council, Radiohead, Chico Buarque, Trio Mocotó, Nina Simone, Chat Baker, Bezerra da Silva, Puretone, Kosheen, Tati Quebra Barraco, Norah Jones, Nação Zumbi, Fernanda Porto, Fat Boy Slim, Elis Regina...
Vai comprar no Submarino ou Amazon? se fizer isso através dos links abaixo, você não gasta nada a mais, e eu vou ganho uma comissãozinha ;-)
29/04/08
China - Pequim & Xangai 2
Apesar de ter como mantra a ideia de que que reclamar nao adianta de nada e vale a pena tentar viver seja la' onde for, aceitando as diferencas e tentando se irritar o minimo possivel, devo dizer que entendo o pessoal que mora em um pais tao diferente e nao para de reclamar, viver num pais que parece outro planeta nao e' facil mesmo.
Entre uma coisa e outra, consegui botar na telinha algumas das minhas reflexoes e conclusoes sobre a China e os chineses. Nao se esgota aqui, claro. Em breve colocarei mais fotos e, se voce tiver alguma duvida, basta perguntar.
Como eles sao
Ainda nao consegui identificar "o povo chines", e desconfio que com bilhoes de pessoas de diversas culturas, costumes, etnias, rural e urbana, rica e pobre, e' impossivel defini-los homogenicamente. No geral, acho que os chineses sao amigaveis, mas nao se engane, podem ser quase violentos na rua, se nao quiserem ser fotografados (apesar de ser raro, no geral, posam pras fotos ou as ignoram).
Dizem que, com a politica de filhos unicos, sao todos uns bebezoes mimados. Nao sei se e' verdade, mas que os pais morrem de orgulhos dos seus filhos, isso ta' na cara e, ao contrario de outros paises ocidentais - onde o pavor em relacao a pedofilia faz com que fotografar criancas pareca algo perigosissimo - eles adoram quando voce pede pra tirar fotos de suas crias (que sao as coisas mais fofas do mundo!).
Existem enormes diferencas entre Xangai e Pequim, mas nao concordo com tudo que li no meu livro guia das cidades. La', dizem que os habitantes de Pequim sao mais arredios e em Xangai o povo e' mais cordial, quase submisso aos turistas, por ser uma cidade mais moderna e mais direcionada ao lucro e perceberem a importancia do turismo.
Nao sei porque, mas minha impressao foi o oposto, achei o pessoal em Pequim muito mais gentil e os xangainenses mais arrogantes, mais duros, as poucas situacoes em que senti alguma animosidade foi em Xangai, nao em Pequim.
De qualquer forma, a briga Pequim x Xangai rende. O mais engracado e' quando voce provoca, perguntando a um e a outro, quais as vantagens de sua cidade... um de cada vez, claro.
Mas, resumindo, minha experiencia com chineses e' otima, a questao e' tentar entender o povo com seus olhos, nao os nossos, eles podem parecer rispidos, desconfiados, ou extremamente gentis e atenciosos, como o pessoal com que eu estou trabalhando e o pessoal da equipe de Ted. Acho que, sao mesmo e' diferentes da gente. So' isso.
Historinha sobre privacidade
A questao da falta de privacidade e' bem interessante. Um dia, ao descer para o cafe' da manha, fomos levados pela hostess - em um restaurante quase vazio - para uma mesa colada a outra onde estavam duas senhoras americanas, gentilmente pedi pra nos indicar outra mesa, pra alivio das duas.
Ai Ted contou uma historia de uma aluna de doutorado, que ele orientava em Estocolmo, que entrou num metro completamente vazio e sentou na cadeira ao lado de uma sueca que, obviamente, deve ter entrado em panico e desceu na proxima parada... hehehehe... nao posso pensar em duas culturas mais opostas, a "zona de conforto" sueca e' enorme, quanto mais longe, melhor.
Para os chineses, isolamento nao e' opcao, e' quase castigo.
O ritmo deles
Nao sei porque, mas, dessa vez, o ritmo chines, nas ruas, me incomodou mais. Nao e' que sejam mais lentos, como a gente pensa, e' um ritmo totalmente individualista, que cria um caos numa rua entupida de gente. Apesar dos chineses estarem sempre acompanhados, a ideia de pensar nos seus movimentos em termos de "coletivo" parece desconhecida por aqui.
As pessoas andam na sua frente numa lentidao de matar (nada me irrita mais nas ruas). Por outro lado, se tiverem pressa, passam por cima de voce, sem do' nem pena. Ando muito mal acostumada com a enorme cordialidade dos americanos (sim, eles tem virtudes, tambem!) nos lugares publicos, onde dizem "excuse me" ate' se voce encostar o cabelo neles. Aqui, tenho sido arrastada pra um lado e pro outro e isso me da' nos nervos.
Hierarquia
Chineses sao seriamente hierarquicos - coisa dificil pra mim - e reverenciam as autoridades. Na nossa tour para as Muralhas teve um momento daqueles inesqueciveis. Ted perguntou ao nosso guia:
- Quem foi mesmo o cara (guy) que construiu a Cidade Proibida?
A gente viu os olhinhos apertados do chines dando mil voltas e uma fumacinha de incompreensao saindo da sua cabeca, antes dele responder:
- Nao foi um "cara"...
Na pausa que ele fez pra respirar antes de continuar solenemente, Ted disse que pensou: "Como assim? foi uma mulher??"
O guia continuou, com toda pompa:
"- ...foi um imperador!!!"
Gente, foi o momento mais fofo dessa viagem!
Turistas chineses
Quando a gente le sobre evitar horarios de pico nas principais atracoes das cidades, por causa da enorme quantidade de turistas na China, pensa nos americanos de camisa florida e camera fotografica pendurada no pescoco.
Bom, e' verdade que e' preciso evitar o meio da tarde, senao a gente nao consegue nem andar. Mesmo tendo uns ocidentais aqui e ali, esse mundo de gente que invade Pequim e Xangai (pelo menos fora do periodo das Olimpiadas) e' todo chines mesmo!
Sao centenas, milhares de chinesinhos, muitos deles bem velhinhos, geralmente vestidos todos com um colete e bone da mesma cor. A/O guia empunha uma enorme flor de veludo colorida, que deve ser seguida, para que nao se percam (nao sei como diferenciam a flor de um guia da flor de outro, ja' que esse instrumento de identificacao e' vendido nas ruas, a quem quiser e nao sao muitas as opcoes...
Os turistas chineses, em si, sao uma atracao, se voce tiver boa vontade e paciencia. Principalmente porque nas duas vezes em que pude observa-los, estava de saida e eles estavam chegando, portanto nao me incomodaram nada. Achei bonito de ver a admiracao e emocao do velhinho chines, que parece bem pobrezinho e deve ter vindo de uma vila distante, diante do trono do imperador na Cidade Proibida.
Nos somos iconoclastas, sacaneamos com o museu do imperio la' em Petropolis, e contamos historias de arrepiar da nossa familia real (claro, ela nem era nossa, por isso a diferenca...), os ingleses fazem piada da rainha, mas na China, a historia e' reverenciada, mesmo apos a revolucao Cultural que tentou apaga-la (ou exatamente por causa disso). A visita dos chineses a Cidade Proibida e' um espetaculo a parte, na minha opiniao.
Transporte publico - Metro
E' possivel e baratissimo andar de metro pra quase todo lado, por aqui. A estrutura de metro em Xangai e Pequim (assim como em Guangzhou) e' boa, em Pequim, a malha foi renovada, algumas linhas sao excelentes, sofisticadas, ar condicionado agradavel (pra mim) e muito, muito barato. Vai mudar, mas agora, com 2 RMB (1 US$ = 7 RMB) pode-se ir pra todo lado.
So' tem um problema... os chineses. Sinto muito a afirmacao tao preconceituosa, mas nao existe outro momento em que eu tenha menos paciencia com os chinseses que no metro. Eles nao respeitam a fila pra comprar os tickets, correm pra passar na sua frente, nao esperam voce sair pra entrar no trem.
Por outro lado, mesmo quem nao vai descer do trem, nem tao cedo, prosta-se na frente da porta e nao arreda o pe', quando a porta abre. Nao adianta dizer um inutil "excuse me" ou dar a entender que precisa descer, tem que fazer como eles e passar por cima (coisa que me deixa muito constrangida!).
Alem disso, tem mais dois probleminhas, o cheiro de alcool e' absurdo. Nunca tinha percebido antes, mas num trem lotado o odor de bebida e' quase insuportavel. E mais, eles escarram no metro. A palavra e' meio dura, mas o que eles fazem nao e' bem "assoar o nariz", e' escarrar mesmo, com todo barulho possivel. Vi garotas de 17 anos fazendo isso no metro. Campanhas estao sendo feitas pra evitar que cuspam nas ruas, mas pelo jeito esse habito de milenios nao vai ser maquiado nessas olimpiadas.
A delicada relacao motorista de taxi e passageiro
Como em qualquer lugar do mundo, pegar um taxi e' uma aventura. Eu e Ted viemos em voos separados, ele chegou algumas horas antes de mim. Chegamos no mesmo aeroporto e fomos pro mesmo hotel. Assim que eu entrei no taxi pedi, com firmeza que ele ligasse o taximetro (gesticulando). Ele fez cara feia, enrolou, eu fiz que ia descer. Ele ligou o meter. Eu pague 79RMB. Ted pagou 450RMB. Que meu maridinho me perdoe, mas em taxis, "mane' e' mane' e malandro e' malandro".
Ainda assim, em Hanoi, peguei um taxi com um taximetro tao enlouquecido que pedi pra descer antes da hora. Tem tambem, claro, a estrategia de dar mil voltas, o que eu faco e' abrir um mapa na cara do motorista e tento - ou dou a entender que estou - identificando onde estou... enfim, acho essa relacao tao estressante que, ainda que o taxi seja baratissimo (ontem fui do hotel ao centro historico por 19RM), acabo preferindo metro.
Pra quem pretende ir a China e andar de taxi (ou mesmo se for de outros meios), a dica e' SEMPRE ter os nomes dos lugares pra onde quer ir em chines. Naqueles sinais locais mesmo, nao adianta de nada dizer que quer ir pra "Forbidden City", muito provavelmente, ninguem vai entender o que voce quer dizer. Mesmo nos taxis que ficam em frente aos melhores hoteis.
Eu nao falo ingles, posso ir pra China?
Sem duvida nenhuma. Pensa bem, se eles nao falam ingles quase nenhum, qual a diferenca? Eu fui ao Nepal ha' 12 anos atras, com um ingles pobrinho e estava sozinha, fiz uma tour num carro com dois nepali que me levaram pra Kathmandu, Bakhtapur e Phokara. Eles nao me contaram nada da historia do pais, mas eu tambem nao ia entender :-) eu diria que e' quase menos estressante ir pra China sem falar ingles do que ir pra Inglaterra. Definitivamente, e' muito mais facil do que ir pra Franca, sem falar frances.
O unico problema e' ter em maos, sempre, os enderecos de onde voce pretende ir em mandarim (como dise ai acima, procure nos sites e imprima direto de la'). Eu deixei de ir a dois mosteiros aqui porque nao teve jeito de encontra-los.
Comida para quem precisa
Como ja' devo ter dito aqui, da ultima vez, nem pensem que vai ser moleza porque voces "adoram comida chinesa". Nada mais equivocado, a comida chinesa no Ocidente foi totalmente adaptada aos sabores locais, o que a gente tem aqui e' uma coisa - pra mim - muito dificil de engolir. Claro que, nos grandes centros, tem restaurante de todo canto (inclusive varias churrascarias brasileiras), mas se voce esta' no meio da rua, num Hutong ou centro historico, se nao quiser se render as McDonalds (as vezes, nao tem nem isso), nao tem muitas opcoes.
Na volta da Muralha da China, paramos em um restaurante ainda mais original, com comidinha totalmente tipica da regiao. Estavamos eu e Ted e um casal de suecos. Quase morremos de rir, porque a unica solucao, com a mesa cheia de pratos diferentes, foi comer muito arroz com molho de soja e uma verdura verde mais identificavel. A foto ao lado (em breve) mostra a galinha que nos foi servida. Por sorte, esqueceram nosso porco, imagina se viesse assim tao, er... digamos "explicito"!
Tentei, mais uma vez, comer os famosos e badalados dumplings. O primeiro foi suportavel, apesar de ter um recheio de porco doce. No dia seguinte, fui sorteada com um recheio de peixe pavoroso.
Enfim, nao sou a pessoa mais sofisticada em termos gastronomicos, mas mesmo os nossos amigos suecos, refinadissimos nao conseguiram comer nem o famoso pato laqueado.
Nesses dias, comemos muito no hotel, fazemos nosso farnel no supermercado, o trivial pao e queijo, biscoitinhos e nozes. Comi galinha ao curry, pizza, comida tailandesa, desisti da chinesa de vez. A boa surpresa foi um picole' de leite com pedacos de fruta com um desenho de uma vaquinha na embalagem. Comi a primeira vez na Cidade Proibida e agora estou viciada.
Hoje, vamos a um jantar oferecido pelo pessoal (chines, claro) com quem estou trabalhando. Nessas horas, apelo pra "sou vegetariana", assim, ao menos escapo das carnes esquisitas. na ultima vez, nos levaram a um restaurante vegetariano que mimetiza todas as comidas carnivoras. Assim, comemos pato 'a Pequim totalmente vegetariano. Melhor assim.
Acabei de ver no blog da Juliana, aqui de Pequim (queria tanto ter ligado pra ela, mas dessa vez, nao deu pra encontrar ninguem, tenho compromissos o tempo todo), sobre essas bandeiras espalhadas nos dormitórios dos estudantes do Instituto de Tecnologia de Pequim (que fica aqui perto). Esta' explicado porque o dia amanheceu com bandeiras por todo lado e esse moco ai, todo enfatiotado, parou um pouco pra descansar antes de espalhar mais um pouco de patriotismo pela cidade.
Interrompendo um pouco o papo chines, como algumas de voces perceberam e comentaram, finalmente, cortei as madeixas!
Meninas, o cabelereiro cortou muito mais do que eu pedi, mas sabe que, no final, adorei? se ele nao tivesse feito isso, eu nao ia mudar nunca, ia sempre cortar "so' um pouquinho".
Como nao dava pra ver bem como a cabeleira ficou, nas fotos que fiz pela cidade, tentei fazer umas fotos aqui no quarto do hotel, hoje de tarde, pra voces terem uma ideia, afinal esse corte de cabelo foi anunciadissimo.
Ok, ok... antes que um troll venha me encher o saco, eu sei que esse assunto nao interessa a ninguem, mas e' papo das miguxas e blog tambem e' pra isso, ne'?
Tambem tentei fotografar o brinco LINDO, feito por MIM :-)
Nao estava muito animada pra vir pra ca', dessa vez. Ando cansada, com muito trabalho que acumula quando eu viajo, precisando cuidar mais de mim, malhar, fazer regime de verdade, criar uma rotina. Alem do mais, essa situacao Tibet X China, que nao e' novidade, mas piorou com os ultimos incidentes, me deixou ainda um pouco mais "melancolica" pra vir pra ca'. Mas, em chegando aqui, fiquei felicissima da vida. Eu adoro a Asia.
Vai ver que, pra compensar, o primeiro passeio que fiz aqui em Beijing, foi a um Templo Tibetano, que nao tive tempo de ver da ultima vez. Esse foi um lugar que de uma paz tao grande, que foi como um recarregador de baterias para os dias que tenho pela frente.
Yonghégong - Templo Lama da Harmonia e da Paz
Tem muita coisa que nao tive tempo de ver na viagem anterior, por isso fiquei feliz com a nova oportunidade. Comecei devagarinho, com um dos maiores e mais importantes templos tibetanos fora do Tibet, o Yonghégong, que fica a apenas tres estacoes de metro do nosso hotel e cuja passagem custou CNY 2 (Yuan Renminbi) ou R$ 00,47.
O templo comecou a ser construido em 1694, durante a Dinastia Qing, inicialmente era moradia de principes e imperadores, mas em 1744, se tornou um "lamasterio", uma escola de monges Geluk (de chapeu amarelo), uma linha do budismo tibetano (seguida pelo Dalai Lama cuja foto, por motivos obvios nao esta' em nenhuma das suas paredes).
Tambem conhecido como o Palacio da Harmonia e da Paz, foi fechado, mas escapou da destruicao durante a Revolucao Cultural (que definia os "quatro velhos", "velhas ideias, velha cultura, velhos costumes e velhos habitos") e foi reaberto ao publico em 1981. Hoje, vivem cerca de 70 monges por la'.
Com 480 metros (de norte a sul) e 20 saloes (que nao podem ser fotografados por dentro), o templo e' belissimo Cada salao tem um nome daqueles so' os asiaticos sabem dar, como Yongyoudian (Salao da Protecao sem Fim), Falundian (Salao da Roda da Lei) e Wanfuge (Pavilhao das Dez Mil Felicidades)
Esse ultimo, tem tres mezzaninnos e dezenas de milhares de estatuas de Buda. E' onde fica uma estatua de Buda de 23 metros, com uma plaquinha do Guiness Record ao lado, atestando que e' a maior escultura de Buda do mundo feita de madeira de uma unica arvore, sandalo branco (trazida do Tibet!). Mesmo sem ser permitido, nao resisti e fiz essa fotinha ao lado, pra voces terem uma ideia da grandiosidade desse Buda.
Esse templo nao estava nem no meu livro guia de Beijing/Shanghai, mas foi uma das coisas mais bonitas e interessantes que eu vi por aqui. Fiquei a tarde toda por la', lagarteando num friozinho delicioso com um sol bem agradavel. Gosto muito de ver a fe' das pessoas, acendendo seus incensos e se curvando diante dos saloes (nao e' permitido levar incenso para dentro, onde ficam as imagens, entao, as pessoas reverenciam de fora mesmo).
Os chineses do povao sao umas gracinhas, gostam de turistas, riem, alguns tentam se comunicar, me sinto muito bem em Beijing (claro que morar aqui deve ser outra coisa...)
A entrada custa CNY 25 (R$ 6,00) e fica aberto todos os dias entre 9 da manha e quatro da tarde. O templo fica do lado da estacao de metro, ou pode ser acessado de onibus pelas rotas 13, 18, 44, 62, 116, 407 e 807.
(Gente, a Denise continua sem acesso. Assim que, quem publicou este texto fui eu, Vanessa, que ela me mandou por e-mail).
A Denise não está conseguindo acessar o próprio blog (imaginem que angústia!) e por isso me pediu pra avisar que chegou bem, mas que não sabe quando vai conseguir publicar outro post e fotos da viagem.
Ela espera que no domingo, já em Shanghai, as atividades do Síndrome de Estocolmo voltem ao normal.
Por enquanto, continuem comentando no post abaixo (cujo enfoque é realmente genial).
Dia 22 é o Dia da Terra e o Allan me convidou pra participar da blogagem coletiva sobre meio ambiente. Sei que esse post é manjadíssimo, mas em poucas horas estarei embarcando pra Beijing (Saio de casa de manhã cedinho) e não dá pra escrever outro, vai esse mesmo e sempre tem o pessoal que ainda não leu...
Uma das coisas que me apaixonaram na amamentação foi a sua complexidade e as diversas formas de se trabalhar com esse tema.
Apesar de parecer um ato solitário, apenas entre a mãe e o bebê, a amamentação envolve muito mais - garantia de direitos humanos e trabalhistas, gênero, educação, luta contra promoção indiscriminada de alimentos infantis e... ecologia.
Impacto Ambiental da Alimentação por Mamadeira
Desperdícios
Se todo bebê norte-americano recebesse mamadeira, quase 86.000 toneladas de alumínio seriam usadas nas 550 milhões de latas de leite descartáveis. Se as latas tiverem rótulos de papel, somam-se outras 1230 toneladas de papel às enormes quantidades de papel brilhante usadas na propaganda do produto. Embora algumas latas sejam reutilizadas, grande parte do metal e papel seria jogada fora e raramente reciclada.
Os leites para bebês vêm sendo, crescentemente, comercializados na forma de alimento pronto-para uso, em caixas feitas a partir de uma mistura de materiais e, conseqüentemente, impossíveis de serem recicladas.
Mamadeiras, bicos e demais acessórios são feitos de plástico, vidro, borracha e silicone, geralmente reutilizáveis, mas raramente reciclados ao final de sua vida útil. A nova idéia de vender leite pronto em mamadeira, por vezes já com o bico, significa que jamais será reutilizado.
Em 1987, somente no Paquistão, 4 milhões e meio de mamadeiras foram vendidas. O número de mamadeiras por bebê é bem maior em países industrializados (a maioria dos bebês nos EUA usa pelo menos 6).
Todos estes produtos desperdiçam recursos naturais (estanho, papel, vidro, etc), causam poluição desnecessária na sua produção e empacotamento e proporcionam um problema de lixo.
Os plásticos representam uma preocupação especial, pois a maioria deriva do petróleo, um recurso chave, e sua produção causa poluição. São raramente reciclados pela ausência de equipamentos adequados e dificuldade em separar os diversos tipos. São virtualmente indestrutíveis e permanecem como poluentes quando jogados fora.
O nome dos chamados plásticos biodegradáveis é errado, pois apenas um dos seus elementos é orgânico e se biodegrada deixando pedaços muito pequenos como poluentes - pelo menos os plásticos “não biodegradáveis” podem ser removidos e reciclados ou destruídos adequadamente. A fumaça resultante de sua incineração pode conter dioxinas e outros tóxicos.
Água
Ao preparar o leite artificial, a mãe deve esterilizar a água e os utensílios.
Água e energia para fervura são facilmente disponíveis no mundo industrializado, mas não é uma razão para desperdício.
A energia geralmente vem de usinas convencionais e nucleares que poluem o meio ambiente.
A falta de água não é comum nos países desenvolvidos, mas em 1975 a OMS estimava que 60% das pessoas em países menos desenvolvidos não tinham acesso a água suficiente. Não é raro que, em algumas partes da África, as mulheres gastem 5 horas por dia buscando água. Um bebê de 3 meses alimentado por mamadeira necessita de 1 litro de água por dia para adicionar ao leite e outros 2 para ferver bicos e mamadeiras15. Além disso, deve-se somar a água necessária para lavar e enxaguar.
A lenha também é um recurso precioso em alguns países em desenvolvimento e tem sido usada em rítmo alarmante. Gasta-se 200g de madeira para ferver 1 litro de água. Assim, em um ano, uma criança alimentada artificialmente consumiria pelo menos 73 kg de valiosa madeira.
Líquidos esterilizantes comercializados são comumente usados para limpar a maioria das mamadeiras e bicos em muitos países industrializados. A maioria deles usa como base água sanitária clorada e a produção de ácido clorídrico está relacionada à emissão de dioxinas.
A Indústria Leiteira
Seriam necessárias 135 milhões de vacas leiteiras para substituir o leite de mulheres só da Índia. Cada vaca precisa de cerca de 10.000 m2 de pasto, o que significa dedicar 43% da área da Índia à pastagem (uma área equivalente a 6 vezes o tamanho da Grã-Bretanha) para substituir o leite materno.
Para criar pastagens é preciso desmatar, o que leva, conseqüentemente, à erosão e exaustão do solo, ao aumento de gases que contribuem para o efeito estufa, além da redução de flora e fauna decorrente da mudança do solo. Para se produzir um quilo de leite para bebê, gasta-se no México, 12.5 m2 de floresta tropical.
As vacas liberam metano, gás importante para o fenômeno estufa, através de flatus e fezes aumentando a poluição atmosférica. O gado produz 100 milhões de toneladas anuais de metano, 20% do total. A eliminação do excremento é um problema por si só e geralmente causa poluição de rios e do subsolo.
A criação de gado contribui também para a formação da chuva ácida. A amônia dos currais reage com o dióxido de enxofre (presente no ar em países desenvolvidos) produzindo sulfato de amônia que ataca as folhas e se converte em ácidos nítrico e sulfúrico quando atinge o solo. A criação intensiva de gado, comum nos países onde a maior parte do leite artificial é produzida, exacerba este problema.
Os fertilizantes nitrogenados muito solúveis usados na produção de ração para vacas leiteiras podem contaminar os lençóis de água. Um milhão e meio de pessoas na Grã-Bretanha bebem água com níveis de nitrato acima dos estipulados pela Comunidade Econômica Européia.
Fertilizantes nitrogenados e detritos animais são as duas principais causas do excesso de plantas em lagos e rios (o lago ou riacho
se torna rico em nutrientes causando crescimento excessivo das plantas). Sua decomposição consome todo o oxigênio da água, causando mau cheiro e matando a vida existente. Estima-se que o custo para limpar águas poluídas por nitrato, de apenas uma região da Grã-Bretanha, será de 200 milhões de libras.
Processamento e Transporte
A maior partes dos leites artificiais é leite de vaca pasteurizado e convertido em pó. O leite é desnatado, filtrado e aquecido entre 95 a 105ºC durante 14-20 segundos, homogeneizado, resfriado e secado com 5 jato de aproximadamente 73ºC e borrifado em um ambiente de 160ºC. A fabricação do leite de soja é semelhante.
A energia necessária para atingir as temperaturas e os procedimentos mecânicos adequados causam poluição do ar (chuva ácida e efeito estufa), bem como a utilização de recursos naturais como combustível. O leite ou soja, ingredientes principais dos leites infantis artificiais, são misturados a um coquetel de substâncias
industrializadas.
O leite geralmente viaja distâncias consideráveis antes de ser processado e a lata, o papel, as mamadeiras, etc, também devem ser transportados.
Depois de empacotado, o leite é levado ao consumidor. O Equador, por exemplo, importa leite dos EUA, Irlanda, Suiça e Holanda. Outros países exportadores incluem o Japão, França, Alemanha, Dinamarca, Grã-Bretanha e Nova Zelândia; a maioria dos países importa leite de lugares distantes. Não há dados exatos sobre a poluição causada por este transporte desnecessário, que é sem dúvida considerável.
Não pretendo, com essas informações, colocar nos ombros das mulheres mais um peso e responsabilidade pelo "futuro do planeta". Minha mensagem não é que, porque a amamentação é um ato ecológico e o uso de mamadeiras é prejudicial ao meio ambiente, as mulheres devem amamentar.
O que quero deixar registrado é mais um argumento para que toda a sociedade apoie as mulheres, para que possam amamentar com prazer e tendo garantidos todos seus direitos. Amamentar não é um dever, mas é um direito da mulher.
Campanha Internacional
A primeira vez que ouvi falar no impacto ambiental do abandono da amamentação foi na Eco 92, quando a IBFAN Rio organizou uma série de eventos pra divulgar esse tema.
Em 1997, a pedido da WABA (Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno), coordenei, em nível internacional, uma campanha de esclarecimento sobre esse tema, na Semana Mundial da Amamentação.
Foi minha primeira experiência de trabalho, verdadeiramente "globalizado". Organizamos um pequeno grupo de trabalho, em Porto de Galinhas, que contou com uma venezuelana (Antonieta Hernandez), uma uruguaia (Cecilia Muxi), três brasileiros (eu, Lígia e Marcus Renato de Carvalho) e um inglês (Andrew Radford, autor do trabalho Impacto Ecológico da Alimentação por Mamadeira).
Esse grupo elaborou um esqueleto para o "folder de ação", que foi redigido por Andrew e revisado por pessoas de todos continentes. Meu ex, Paulo Santos, bolou com o cartunista Libório, toda produção gráfica e criamos um software educativo, para crianças; uma cartilha eletrônica; uma cartilha impressa e um livrinho para colorir. Todo material foi impresso na Malásia, em diversos idiomas e distribuído de lá mesmo, para quase 100 países.
Esse foi um trabalho do qual me orgulho muito, porque é uma forma fantástica de trabalhar a questão da amamentação com crianças e adolescentes que ainda não têm interesse nenhum em relação aos cuidados com bebê. Não adianta falar sobre os benefícios do leite materno, mas eles entendem muito bem e se preocupam bastante com nosso meio ambiente.
Hoje, ela fez 21 anos. A primeira foto, acima, foi a primeira foto que fizemos dela, uns 3 ou 4 dias depois do parto. Ainda com o olhinho inchado, a boquinha tão fofa... JURO que parece que foi hoje!
Engraçado é que acabei de perceber que nunca sonho com Bia como ela é hoje, quase sempre, em meus sonhos ela está desse tamainho aí dessa foto ao lado. (hehehe... tadinha de pochete!)
Sinal de síndrome do ninho vazio batendo aqui em casa? pode ser. Não é brincadeira, não... quem tem seus bebezinhos nem imagina como o tempo vai passar rápido. Aproveitem!
Por isso, nunca reclamei e aproveitei cada um de todos os fins de semana quando a levava pro teatrinho, parque, cinema, pracinha dos peixinhos. Beijei, abracei a apertei muito. Botei muito no colo, dormi no mesmo quarto, fiz muito dengo e manha.
A poderosa no Marrocos (não esqueci, quando eu voltar eu boto as fotos de viagem dela, aqui), independente, como eu sempre soube que ela ia ser.
"Sim, me leva pra sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão"
"No segundo e último programa da série sobre os ex-escravos que voltaram para a África, veja a marcante presença brasileira na arquitetura, na culinária, na língua e nas festas populares do Benim."
A escritora Gloria Perez vai fazer uma novela relacionada com a India (e Dubai) e esteve por lá, fazendo pesquisa. Gente, que saudades da India. Adoro ver gente escrevendo sobre esse país, principalmente quando é com muito respeito e buscando entender a cultura do povo tão absurdamente diferente da nossa.
Confiram lá no blog dela, as fotos e os posts interessantíssimos!
Com certeza, vai ser uma novela muito colorida :-)
Acordei, vim pro computador e encontrei um email muito gracinha da Maffalda onde, entre dicas preciosas, ela me pede pra resumir em duas palavras porque eu não gostei de Juno. Minha tentação foi escrever pra ela: "Pro-Life". Mas resolvi que, antes de começar meu longuíssimo último dia da semana antes da viagem (ainda tenho que ir buscar meu passaporte na Embaixada da China!), vou cumprir pelo menos uma promessa, e escrever sobre Juno. Preparem-se que o post é longo.
Antes de tudo, que fique claro que não é censura, claro que pode-se fazer filme sobre o que se quiser e eu tenho todo direito de detestar e dizer o porquê e acho que as pessoas precisam ver os filmes com as antenas muito bem sintonizadas e uma visão crítica aguçada. E depois, claro, têm todo direito de gostar ou não e respeito a opinião de todo mundo.
Eu odiei. Mas odiei tanto que foi duro chegar ao fim do filme, por não deixar de ver em cada frase de efeito da Juno e musiquinhas do Belle and Sebastian uma peça de propaganda à altura das aeróbicas do Padre Marcelo Rossi.
A Ellen Page é uma excelente atriz. A vi, pela primeira vez, em Hard Candy e até disse que foi um dos melhores filmes que eu vi em 2006 (foi lançado no Brasil, vejam!). Nele, ela tinha 19 anos e fazia papel de uma menina de 13. Brilhante.
Depois vi Juno e, há poucos dias, Smart People, onde ela é uma garota republicana e inteligente (isso é possível?! hehehe) de 17 anos. Bom, o que posso dizer é que ela continua fazendo exatamente o mesmo papel de adolescente esperta e revoltada. Pra merecer um Oscar de melhor atriz precisa mostrar muito mais.
Mas, voltando à Juno. É um daqueles filmes milimetricamente produzidos pra agradar essa massa que se chama "jovens", pra parecer esperto e inteligente, as cores são básicas e agradáveis, os personagens (nem todos, vocês vão ver) são simpáticos, a menina cheia de frases de efeito.
Guardadas as proporções, pensei na hora na "renovação carismática", Padre Marcelo goes to Hollywood.
Lembrei das missas no Mosteiro de São Bento (onde estudei), sorumbáticas e solenes, com padres entoando cantos gregorianos (que eu gostava muito) para uma igreja quase vazia ou para estudantes do colégio (que ficava ao lado) e que eram forçados a ir à missa, na hora da aula, de vez em quando. Claramente, não estava funcionando...
Aí, apareceram vários padres fazendo missa com violão e muito "papo bicho grilo" e depois o Padre Marcelo, com sua aeróbica de Cristo, todos tentando conquistar os jovens e infiéis fiéis. Tentativas válidas e que funcionavam. Mas, se aos 14 anos eu comprava livrinhos do Pe Zezinho nas Paulinas, me arrepiava mesmo era com os gregorianos.
Pra mim, Juno é uma estratégia de marketing na mesma linha. Claro que feito de uma forma muito mais sofisticada, mas é apenas uma peça de propaganda conservadora e reacionária, revestida de papo cabeça, referências pop (até a escritora é tatuada e ex-stripper, nada mais providencial) e cores moderninhas, pra conquistar as tão cobiçadas cabeças e mentes jovenzinhas.
Não sei até que ponto foi algo realmente estudado e planejado para isso. Nem se a ex-stripper tinha idéia de onde estava se metendo. Mas, acho que toda badalação e investimento na divulgação do filme - num momento em que existe uma forte reação e várias campanhas para mudar a legislação de direitos reprodutivos da mulher nos EUA - tem muito dinheiro de quem se diz "pró vida".
Vi algumas pessoas no Brasil dizendo que "o filme não falava muito sobre aborto". Não é nada disso, gente, o filme é todo sobre aborto. E não sou a única que diz isso. O crítico de cinema da União dos Bispos Católicos dos EUA, deu seu aval:
Fia, se você realmente acredita nisso, mesmo com todos os "pró-vida" afirmando que o filme É pró-vida, então você é bem menos esperta que seus personagens.
Vejamos algumas dicas de qual a real agenda do filme:
1. Colocando-o dentro do contexto histórico, no mês de lançamento do filme, fazia 35 anos que o aborto se tornaria legal aqui nos EUA. Estamos vivendo um momento de extrema pressão dos republicanos e religiosos para retroceder e estabelecer leis restritivas. O corpo da mulher nunca foi tanto um campo de batalha, como hoje. Todo mundo quer ter direito de dizer o que devemos fazer...
2. No mundo real, as clínicas e profissionais de saúde que têm autorização para para fazer abortos são constantemente vítimas de grupos "pró-vida", que jogam bombas, telefonam fazendo ameaças, montam piquetes pressionando as mulheres na entrada dessas clínicas, são verdadeir@s terroristas.
Em Juno, essa horda violenta se transforma numa tímida, solitária e doce menininha asiática, que fala mal inglês. Ela é tão fofa que poderia estar num anime. Boa estratégia pra conquistar jovens que adoram a cultura japonesa, considerada o que existe de mais moderno, hoje em dia.
Muito delicadamente, quase aos soluços, fazendo biquinho, ela pede a Juno que não faça isso e lembra a ela que, àquela altura (cerca de dois meses de gravidez), o bebê já "tem unhas". Cândido.
Um exemplo de quem é o verdadeiro movimento "pró-vida" nos EUA é a declaração do reverendoDavid C. Trosch, em 1994: "Eles [os ainda não-nascidos] são pessoas que merecem defesa, como qualquer pessoa nascida, e eles precisam ser defendidos por qualquer meio necessário para protegê-los, incluindo o assassinato de seus agressores, que nesse caso, seriam os abortistas e seus cúmplices diretos." Hummmm... bem diferente do que a gente vê em Juno...
Acima, fotos de clínicas bombardeadas pelos que se dizem "pró-vida".
Segundo o filme Juno essas são a menina "pró-vida" e a outra pró-escolha... com quem você simpatizaria mais?
3. A cena que me deixou mais indignada foi a da clínica. Ao contrário da doçura da menininha "pró-vida", o quadro que se cria dos pró-escolha é o oposto. Juno é atendida por uma garota agressiva, de maquiagem pesada, que a trata com frieza. No começo, ela repete, monocordicamente, um texto decorado, sem ao menos olhar pra Juno, enquanto escreve mensagens em seu celular. A atendente é o estereótipo da jovem feminista mal amada, tão equivocada quanto reproduzida pelo mundo afora.
Juno está lá, "abandonada", mal atendida, enquanto vê mulheres sozinhas e nervosas, roendo as unhas e lembra do bebê com suas unhazinhas crescendo e sai correndo, decidida a dar o filho pra adoção. Simples assim.
Essas clínicas têm equipes altamente capacitadas, treinadas pra apoiar as mulheres, que também não vão desacompanhadas. Segundo pesquisas, em cerca de 50% dos casos, o companheiro está junto. A maioria vai com amigas ou familiares. Apesar de ser, claro, um clima de tensão e tristeza (ninguém quer fazer um aborto!), o abandono e a frieza mostrados no filme não é real e é a cena central desse filme, onde tudo se decide.
Veja a menininha asiática fofa do piquete e a recepcionista agressiva e fria nessa cena aqui.
4. Obviamente, a situação de Juno é fora da realidade da imensa maioria das adolescentes que se deparam com uma gravidez. A família não é nada convencional e a apóia com toda facilidade. É quase como se a gravidez fosse apenas um acidente de percurso e que não fosse afetar em nada sua vida, retomada no final do filme, como se nada tivesse acontecido.
A principal solução dada pelos "pró-vida" é a adoção. Pra mim, na maioria das vezes, isso não é solução e, curiosamente, esse filme apenas reforça a minha posição. Apesar do aborto ser uma opção dolorosa, que ninguém quer ser obrigada a enfrentar, muitas vezes é a única coisa que se pode fazer.
No filme, Juno, uma menina tão bem criada, cheia de amor e compreensão encontra um casal que quer adotar seu bebê. Aos poucos, descobre que, apesar de tanto dinheiro, o casal não é dos mais felizes. O pai é um homem frustrado vivendo aprisionado em uma relação em que a mulher é totalmente dominante e com valores opostos aos seus (e de Juno)...
A mulher é neurótica, tensa, castradora. Muita gente disse que gostou do filme não ter a solução "fácil" de Juno ficar com o bebê, mas pra mim, não tem lógica nenhuma que uma pessoa tão pouco convencional e com tanta personalidade como Juno, decida entregar seu filho a uma mulher que pode estragar a sua vida.
Só deixar nascer é o que interessa? e depois? a mãe biológica não se sente responsável pelo futuro que aquela criança vai ter, desde que sua consciência esteja "em paz" por não ter feito um aborto? isso não é muito mais egoísta? Me aterrorizaria, muito mais que um aborto, botar um filho no mundo pra ser criado por uma mulher em quem eu não pudesse confiar.
A gente tem visto os horrores pelos quais passam crianças nas mãos dos pais biológicos ou adotivos. Como parir, entregar seu bebê recém-nascido a outra mulher, sabendo quem ela é, onde ela mora... e depois ir pra calçada tocar violão com o namorado? dá pra ser simples assim?
Enfim, já falei demais e agora preciso correr lá na embaixada antes que o pobre do Ted tenha uma síncope. Certamente, deixei muitos detalhes de lado, mas esses pontos, pra mim são os mais importantes. Se for lembrando e à medida que alguém comentar (se alguém conseguir ler esse post tão enorme hehehe), vou deixando mais alguns comentários por aqui.
Atenção:
Não vou discutir, novamente, porque eu acredito que a mulher tem direito de escolher interromper ou não uma gravidez indesejada, já escrevi sobre isso aqui e, por mim, tá dito.
Quem quiser deixar sua opinião é benvind@, desde que escreva sobre as suas idéias e não jogue apenas mensagens raivosas e tacanhas, essas serão deletadas sem pena.
No ano passado, quando estive na China, fiz alguns contatos e vinha trocando uns emails e começando um trabalho com um grupo de lá. Pra dar continuidade, precisava ter umas reuniões "ao vivo" (e vou fazer uma palestra também), mas estava esperando pra marcar uma época em que Ted também tivesse algum compromisso com a equipe dele da China pra gente ir junto.
Então, estamos indo na próxima segunda-feira pra Beijing e Shanghai e vamos ficar pouco mais de 10 dias por lá. Depois Ted segue pra India e eu volto pra casa. Vou ter menos tempo para fazer fotos e blogar do que da última vez, mas terei dias livres e vou tentar escrever sobre o que não escrevi da última vez.
Ia fazer uma surpresa pra vocês, só contando quando estivesse por lá, mas lembrei que seria bom avisar a quem estiver pensando em fazer algum pedido no brechó pra resolver logo porque o sábado será o último dia em que poderei colocar alguma coisa no correio.
Por isso, ando hiper ocupada e sem poder escrever nada muito "decente" no blog, mas tenho que deixar muita coisa preparada por aqui, antes da segunda-feira!
Brasil é 2º em ranking de redução de mortalidade infantil
Para atingir meta, Brasil terá de reduzir taxa em apenas 0,6%
O Brasil ocupa a segunda posição entre os dez países que mais conseguiram reduzir o número de mortes de crianças com menos de cinco anos desde 1990, de acordo com uma edição especial sobre as Metas do Desenvolvimento do Milênio preparada pela revista médica britânica The Lancet.
O Brasil só ficou atrás do Peru na lista dos países que mais avançaram e vai precisar reduzir em apenas 0,6% a taxa de mortalidade infantil até 2015 para alcançar a meta.
O Brasil reduziu de 57 para 20 o número de mortes nessa faixa etária a cada mil nascimentos entre 1990 e 2006, uma diminuição de 65%. A meta do país para 2015 é reduzir para 19 o número de mortes a cada mil nascimentos.
A edição especial da The Lancet foi elaborada com base no relatório Contagem Regressiva para 2015 - Sobrevivência Infantil e Maternal, preparado por um grupo que monitora as medidas adotadas por 68 países para alcançar as Metas do Desenvolvimento do Milênio referentes ao assunto.
“Eu fiz aborto. Não me orgulho, nem me arrependo”
(Ruth de Aquino na Época)
Aborto: vozes ousadas em meio a ameaça de CPI http://www.mulheresdeolho.org.br/?p=369
Poder religioso presente em Câmara e Prefeitura do interior paulista
Mulheres de Jundiaí sem pílula do dia seguinte - MS promete recorrer http://www.mulheresdeolho.org.br/?p=370
“A liberdade de expressão não é um direito absoluto. A dignidade das mulheres sim, é um direito absoluto” (Rubia Abs)
Indenização contra “Tapinha” na imprensa http://www.mulheresdeolho.org.br/?p=368
"Deniseeeee,
Mulher, você arrasou!
Claro que tudo é lindo, o pacotinho, o papel, o feltro...
Eu só digo duas coisas:
os brincos são muito, muito
muuuuuuuuuuito
mais lindos do que nas fotografias.
Aliás, eu nem vou mais trabalhar no meu artigo porque com um par de brincos lindos como esses ninguém vai precisar saber do meu papo acadêmico boring...
Mérci!
mérci!
mérci!
Bib'ß"
Realmente, sem modéstia nenhuma, tenho que dizer que eu acho que os brincos são mais bonitos "ao vivo" do que nas fotos, ainda não consegui achar a luz certa (vou até refazer as fotos das peças abaixo, quando tiver tempo, as cores não são nada disso).
Na verdade, sempre fico assim, cada vez que uma peça minha sai daqui e eu sei que chegou bem e foi aprovada com tanto esfuziamento, é uma alegria aqui em casa :-)))
Pra ver outras pessoas que estão usando coisinhas minhas clique aqui. Aliás, quem já comprou alguma coisa minha e quiser fazer parte da galeria, basta me mandar a foto :-)
De vez em quando, coloco esse post de volta, pra gente conhecer melhor as pessoas que visitam o blog e fazem do blog uma "pracinha virtual", onde tod@s são benvind@s.
Adoraríamos saber como vocês vieram parar aqui no Síndrome de Estocolmo. Muitos chegam por acaso, buscando coisas mais diversas, no Google, outros vêm de outros blogs ou dicas de amigos.
Se foi através de um mecanismo de busca, lembra qual palavra colocou pra chegar no Síndrome de Estocolmo? veio de outro blog? ou veio a partir de uma visita minha ao seu blog? estou curiosa...
E mais... se quiser, responda também, quem você é? o que você mais gosta no blog? qual foi seu post favorito?
Essa é uma ótima oportunidade pra os caladinhos e caladinhas se apresentarem ;)
E depois de, finalmente, feita a apresentação, que tal mandarem suas fotos pro álbum do blog? basta enviar o arquivo, com nome e lugar onde você vive, para sdeestocolmo@gmail.com. O Album está passando por reforma, por isso não coloquei ainda as fotos novas, mas podem ir mandando pra mim e estará pronto em breve...
Atenção:
Pessoal, não tenho tido tempo de atualizar as fotos do album de leitores, mas farei isso assim que puder, portanto, podem continuar enviando as fotos, mas tenham paciência, OK? :-)
O querido Allan me lembrou de fazer a convocação pra Blogagem Coletiva Sobre o Dia da Terra, ele sugere que escrevam o post no dia 21 e deixem o computador deligado no dia 22 :-)
Eu sou meio enrolada pra participar de blogagens coletivas e estou decidida a só organizar uma por ano, na Semana Mundial da Amamentação (01 a 07 de agosto). Nem sempre tenho tempo de postar algo mais consistente (agora, por exemplo, é impossível), e sou ruim de ter inspiração com algo agendado.
Mas apóio as iniciativas e quem for participar, avise lá nos blogs dos dois.
Novidades no Brechó e uma blogueira sem tempo pra nada (volto em breve!)
Ando super ocupada - vocês vão saber o porquê na próxima semana.
Mas tinha que colocar no site essas coisinhas adoráveis que eu fiz na semana passada. Não tem nada que me dê mais prazer que juntar tudo que mais gosto numa coisa só. Mulheres que me inspiraram a vida toda, pra carregar bem pertinho da gente e inspirar outras pessoas ao nosso redor.
Pessoal que está esperando emails meus, respondendo sobre os pedidos do brechó, aguente só mais um pouquinho, estou com uns probleminhas pra resolver, hoje à noite responderei a todo mundo, OK?
Num post abaixo pedi sugestões do que tem de novo na MPB. Eu adoro cantoras mulheres, mas nunca tinha prestado atenção nas novas sambistas porque eu - confesso - detesto a Luciana Mello (que é gente boa, mas a música é chatinha!) e achava que eram bem parecidas.
Gente, estou a-pai-xo-na-da pela Martinália. As outras são boas, mas a Martinália é o máximo! tudo que ela canta é bom demais. Taí uma cantora que eu acho que entra pra história da MPB.
Então, em retribuição às sugestões, fiz essa seleção de músicas das novas cantoras que vocês indicaram e da Orquestra Imperial.
Também estou ouvindo e adorando o solo de Paula Toller e Fernanda Takai (principalmente Seja o Meu Céu, ótima dica, Ana Lucia! ouvi muito essa na adolescência hehehe...).
Continuo aceitando sugestões.
Acho que não ficou bem claro, mas nesse "tocador" aí acima tem 40 músicas, basta clicar em uma delas e ouvir uma após a outra. Ou rolar a barrinha da direita e escolher o que quer ouvir.
Ou cliquem aqui (ou na palavra Divshare, lá em cima) e vai abrir a página da playlist, onde vocês podem ver todas as músicas que coloquei no tocador. Deixa ter um tempinho e eu boto tudo junto, comprimo num arquivo zip e coloco aqui pra download (só espero que não receba mensagens revoltadas dos que são contra o download das músicas!).
Fazia muito tempo que não ouvia algumas dessas músicas, fui re-encontrando à medida que procurava as cantoras de samba que vocês sugeriram no post anterior. Depois, vou ouvi-las também, mas o domingo foi mesmo pra relembrar esses clássicos. Como tinha música de dor de cotovelo, hein?! vai ver que por isso nunca mais tinha ouvido nenhuma delas... toc, toc, toc... mas são lindas demais.
Sinto dizer, mas quem nunca dançou com um benzinho numa sala de reboco não tem nem idéia do que perdeu... ai, ai...
Não resisti. "Maos de Ouro" era o nome das revistinhas que minha mãe comprava quando eu era pequena (ainda existe?).
Não que eu tenha mãos de ouro, muito pelo contrário, mas nessa minha fase tão craft, descobri que eu consigo bordar (portanto, todo mundo consegue também!).
Comprei um livrinho Stitch Sampler, que é uma beleza, com ele todo mundo acerta. E nem precisa entender inglês ele é super ilustrado, mostra tim tim por tim tim como tem de ser comigo, bem no básico :-) Clique aqui e dê uma olhada dentro do livro, clicando várias vezes em "surprise me", na coluna da esquerda, abaixo.
Por enquanto, o problema é que, com as mil coisas que tenho pra fazer, sentar e passar horas bordando tá me parecendo só um sonho... mas adoro ver os novos bordados que estão espalhados pela internet, me dá uma vontade danada de fazer arte com as agulhas e linhas coloridíssimas que estão aqui pertinho de mim só esperando....
Achei esse vestido da foto acima, no Flickr, não é o máximo?
Também comprei, há poucos dias, o livrinho com desenhos para bordado em transfer (acima) da Jenny Hart, o Sublime Stitching. Jenny é a figura mais conhecida do "mundinho bordado" da nova geração e tem coisas maravilhosas, que fazem totalmente "meu tipo". Ele acabou de ser lançado e eu ainda não recebi o meu, estou esperando ansiosamente.
Aliás, foi no blog da Jenny, que eu li sobre o Open Source Embroidery. Esse grupo tem feito oficinas e traça um paralelo entre a programação de computador e o bordado. Dizem que o resultado em ambos é visível, e o que fica por trás do pano é o código, as fórmulas que levam ao resultado final e tanto na programação de informática como no bordado, essa informação deveria ser aberta e compartilhada. Interessante, né?
Outra ótima fonte de desenhos pra bordadeir@s é a Floresita, que coleciona desenhos vintage fofíssimos e você pode copiá-los à vontade, desde que não os use para venda, mas para produção de coisinhas suas e para presentes. Veja os desenhos aqui e aqui.
Programa que transforma qualquer foto ou desenho em diagrama de ponto de cruz. Fantástico!
Poster do Iggy Pop (acima) bordado pela Jenny Hart. Veja outros trabalhos dela aqui.
Só mais uma coisa, aprendi nas minhas andanças virtuais nos blogs de moças prendadas que bordam muito bem, que tudo pode ser motivo de bordado. Achei lindos muitos bordados feitos a partir de desenhos dos filhos. Estou com umas idéias aqui, se conseguir fazer, mostro a vocês em breve....
Estou muito preocupado com a situaçao dos mais de 27500 indígenas Guarani-Kaiowá que habitam o Estado do Mato Grosso do Sul. Estima-se que no estado a desnutrição afeta pelo menos 600 crianças indígenas. Na região de Amambai há 180 crianças com problemas severos decorrentes da insuficiência na alimentação.
Nos últimos três anos mais de 53 crianças indígenas morreram por desnutrição. Somente no ano de 2007, 43 Guaranis foram assassinados e outros cometeram suicídio, e muitos tornaram-se vítimas de alcoolismo.
Na raiz desta situação está a omissão do Governo Federal Brasileiro que não garante que a FUNAI realize o trabalho de identificação e demarcação das terras indígena, não elabora políticas públicas voltadas para esta população, não protege adequadamente aos povos indígenas contra a violência, discriminação e criminalização de suas lideranças, e não garantia de acesso aos territórios tradicionais dos povos indígenas, conforme o que está previsto na Constituicão federal.
As matas, onde os Guaraní-Kaiowà podiam coletar alimentos como as frutas, o mel, caça, pescado e a matéria-prima para fazerem suas casas e utensílios., foram roubadas e destruídas por fazendeiros Esta situação será agravada com a implantação das 30 usinas de cana de açúcar previstas para aquele Estado nos próximos três anos.
O Brasil como Estado Parte de Pactos Inter-nacionais de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) da Convenção Americana sobre Derechos Humanos, do Protocolo de San Salvador e do Convênio 169 da OIT, assumiu compromissos no âmbito do direito internacional de proteger e respeitar os direitos à terra, à alimentação, à água e em especial à vida das famílias indígenas.
Portanto solicito respeitosamente que Vossas Excelências adotem medidas garantindo que:
A FUNAI faça com extrema urgência a identificação e delimitação de todas as terras Indígenas do Mato Grosso do Sul conforme previsto no CAC, referente ao Procedimento Administrativo MPF/RPM/DRS/MS 1.21.001000065/2007-44. Após o processo de identificação e delimitação que sejam imediatamente homologadas as terras pelo Ministério da Justiça.
Seja implementado uma política, a médio e longo prazo, de recuperação ambiental das áreas devastadas, na perspectiva de recompor as condições básicas do modo de ser e de viver dos povos Guarani-Kaiowá, garantindo-se o direito a se alimentar..
Enquanto este processo é desenvolvido a alimentação dos povos indígenas deve ser garantida por distribuição regular de cestas básicas que respeitem a cultura alimentar destes povos ou por outros programas que garantam a alimentação adequada.
Sejam investigados, com agilidade, os crimes cometidos contra os indígenas, e punidos os responsáveis.
Os Guarani-Kaiowás sejam protegidos contra práticas de criminalização de sua luta pela terra e por seus direitos em geral.
Por favor, mantenha-me informado das medidas que forem tomadas.
Respeitosamente
[Sua assinatura]
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A gente se preocupa com os monges do Tibet, com as mulheres queimadas na India, com a mutilação genital africana e será que a gente lembra o suficiente dos nossos índios?